• Ailton Segura

PT que não se engane, ainda não ganhou nada



Nas ruas de São Bernardo. Começar de novo...



Encontrei com um amigo petista que tenho e me surpreendi. Pala sua euforia da sentença dada pelo Facchin proclamava que Bolsonaro podia dar adeus à reeleição e porque Lula estava na parada. Ele não é tanto de discursar eufórico como na terça feira, o dia seguinte. Fazia os planos da redemocratização do pais, depois do golpe dado em Dilma Roussef, da retomada do poder pelos progressistas (leia-se PT) e para o início de uma nova fase, sem Guedes e o seu Neoliberalismo, sem o chanceler imbecil e sem a entrega da Amazônia para os madeireiros, o ouro para os bandidos e por aí vai, chegou inclusive a comentar em tom de denúncia as peripécias do filho de Bolsonaro, fanfarrão e conspirador contra a democracia enquanto joga no esquecimento as rachadinhas e os imóveis da lavagem de dinheiro.


Confesso que fiquei apreensivo.


Sou do tempo que Lula achava que estudante era uma coisa e que operário era outra. Talvez um tempo em que ele nem imaginava ter competência para ir tão longe no mundo. Tempo que na praça de São Bernardo, dividíamos com os operários o cheiro do gás lacrimogênio e as ameaças de um Estado repressivo que não tinha dó na hora de baixar o sarrafo. Meu amigo,

provavelmente nunca cheirou o gás da repressão e muito menos levou cassetetes nas costas. Mas com muito razão, vibrava pela anulação dos processos contra o Lula, arquitetado por um grupo de neocorruptos do poder judiciário (Moro/Dalagnol etc) que por 30 dinheiros entregaram as riquezas que financiariam a Educação e a ciência neste país, graças ao milagre do pré-sal.

Naquela época, meu amigo petista nunca soube, tínhamos a dignidade de enfrentar a ditadura pensando num país melhor, em dias de liberdade em uma vida plena. Valeu que ela chegou, e chegou com Lula lá pela terceira tentativa. Tivemos que enfrentar o “mito” Collor, o ídolo da intelectualidade vazia FHC para chegar lá. Não resta dúvidas que chegamos.


Nem todos os oportunistas tiveram chance de mudar de lado, mas que muita gente mudou, mudou... só para citar, Temer e uma curriola anônima que se deleitou per oportunismo de ocasião e que até ontem estava aplaudindo o presidente como a fazer valer a máxima: melhor que este só o próximo.


Mas o meu amigo petista pegou o bonde andando. Não aprendeu os ensinamento de Maquiavel, Marx para é 10, mesmo que tenha confessado nunca ter lido o capital (a bíblia do capitalismo), Lenin e Trotsky são estranhos, liberais que se propunham socialistas e anarquistas (Lenin dizia que o socialismo só viria com a energia elétrica. Isto antes do modelo Aneel). Não duvido que a nova condição de Lula para ele seja vista como o fim de um processo. Falei para ele que não é. Que é um novo recomeço, uma nova chance. Colocar o Brasil no rumo certo, o rumo do 5º. Império sonhado por Fernando Pessoa dentre outros.


Para mim ficou claro, não basta o Lula sem condenações, é preciso que ele e todos os que pensam como ele, que assumam a parte que lhe cabe, para o fortalecimento de um sociedade justa. Este é o nosso tempo. A partir de agora arregaçar mais as mangas e se lutar, lutar pelas conquistas que se atrasaram neste hiato marcados pelo golpe contra Dilma. É hora de recomeçar. E isto não é fácil, exige trabalho e clareza. Expliquei para ele, com muita ternura, que só depende de nós agora. Podemos, então ir em frente, para valorizar sacrifício que a conjuntura obriga Lula a fazer. Afinal, o PT ainda não ganhou nada.

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