• Ailton Segura

Meu amigo avestruz



Tenho um amigo que apelidei de avestruz. E ele o é. Faz como a ave, na fábula, que ao ver ameaçada sua cosmovisão, não procura tirar a ameaça à limpo. Prefere encontrar uma toca e enfiar a cabeça para não ver o que está se passando. Nada o tira da zona de conforto, porque ao esconder a cabeça para não ver o que o assusta, deixa o resto do corpo á mercê dos que ameaçam seu status quo.


Ele é assim.

Meu amigo não está sozinho.


Para ele não existem os perigos de uma pandemia mal controlada. Ele, espera pela vacina como quem entra num processo de conformismo, apesar de ser grupo de risco. Um dia ela vai chegar. Não interesse as ações políticas que atrasam a vacinação por incompreensão e por negacionismo das autoridades federais, preocupadas com o próprio umbigo. O mesmo ele faz com as ameaças de corte de recursos na Educação e na Saúde para abonar aqueles que passam por dificuldades em função da pandemia. Se isto vai afetar o SUS (Sistema invejado pelo mundo todo) e acabar com conquistas como o Fundeb, que em tempos de educação à distância pode tirar a Educação dos nosso jovens do “quadro negro” em que foi colocada pelos mesmos motivos que faltam as vacinas.


Quando sobe o combustível para a satisfação dos investidores na Petrobrás ele vai lá, mete a cabeça na toca e acha que tudo está normal. Ainda bem que não “comprou” a lava-jato, quando ela era usada para manipular o contexto político. Por isto também não se incomoda quando o líder da Lava-jato e seus parceiros são apontados como oportunistas que visaram o enriquecimento próprio, recebendo a paga pelo golpe militar-jurídico que o Estado Maior do Exército deu sob o tação do então Comandante do Exército.


Meu amigo avestruz vota no PT, afinal ele comprou seu carro durante as políticas definidas por Lula e Dilma, estudou, viajou (era fácil viajar). Tudo era barato e na condição dele o desemprego era apenas o mote de uma ação encarada para ter fim. Hoje quando se fala nos recursos que poderiam ser viáveis para conformar a população impedida de se sub-empregar em tarefas de ruas, como olhar carros, vender paçoquinhas na rua, ostentar cartazes pedindo esmola (venezuelanos), etc.


Hoje, meio com a cabeça na toca ele atribui sem noção da realidade, que o problema está na Pandemia. Nem ouve quando os jornais divulgam roubos e mais roubos (até uma ou outra profissional é acusada de roubar vacina), que alguns políticos se tornam fura-filas na vacinação e vai por aí a fora. Nem mesmo o tato de em plena pandemia, sobre os $ 6 milhões para o deputado Bolsonaro comprar a mais valiosa mansão de Brasília. Tudo isto para ele não passa de politicagem e lá vai ele, para não ver e formar um juízo, como a avestruz, mete a cabeça na toca, como se não ver faz com que o problema suma.

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