• Ailton Segura

ECONOMIA CIRCULAR - Florianópolis quer acabar com lixo em 10 anos.


A capital de Santa Catarina está planejando não produzir mais lixo dentro de um prazo de 10 anos. Ela quer servir de referência para os mais de 5 mil municípios do Brasil, no processo de cidade lixo zero. A informação foi prestada pelo engenheiro sanitarista Lucas Arruda, presidente da COMCAP (Autarquia de Melhoramentos da Capital Florianópolis/SC) ao participar da quinta webinar do PERS (Plano Estadual de Resíduo Sólido).


Ao falar na webinar, abordando a economia circular, apresentou os argumentos que o levam à crença de “zerar o lixo”. Ele deu um panorama do desenvolvimento das ações do seu município desde 1986, quando três bairros, apenas, faziam a coleta de recicláveis; “O objetivo naquela época era combater o problema de doenças”, uma forma de reduzir o número de ratos da cidade.



“Tudo começou com a separação de resíduos orgânicos, dos recicláveis e dos rejeitos”, informou. Hoje o município caminha para fechar o ano ampliando a coleta para aumentar a retirada do aterro sanitário de 43 para 60% do resíduo seco e de 35 para 90% . Com isto pretendem desviar os créditos de carbono do aterro sanitário (pagos pela redução de gases na atmosfera) para financiar o processo de compostagem. Lucas estima que esta operação vai gerar 20 milhões de reais por ano para investir no processo.


Além disso, de 2017 até 2020, a cidade impediu de ir para o aterro sete toneladas de resíduo verde por ano e com os recursos recebidos por isto investiu em tecnologia para aprimorar o processo. Hoje, tem uma frota de cinco caminhões novos, um caminhão específico para coletar vidros e um compactador para material que vai para compostagem, além de um picador de galhos.


Durante estes mais de 10 anos em que Florianópolis vem olhando o lixo como fonte de riqueza, graças à economia circular. O arcabouço jurídico também evoluiu a ponto de, a partir dele, ocorrer a proibição de copos de plásticos, reduzindo a produção de resíduos e de um completo sistema de leis que favorecem a coleta seletiva e é transformado em dinheiro para financiar o processo.





O próximo passo de Florianópolis é fazer gestões para ser reembolsada pela logística reversa (como determina a lei) e com isso passar a remunerar os separadores de recicláveis. A expectativa é de o município receber R$ 12 milhões por ano que pretende repassar como pagamento do trabalho dos catadores. Além disso, o município lançou edital para pagar pela compostagem produzida, o que deve acontecer neste final do mês de setembro e com isto remunerar a comunidade envolvida.

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