Fotografo: Reprodução
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Dalagnol à sombra de Mamon, o diabo do dinheiro

 
Texto feito a partir de matéria publicada no jornal Folha de São Paulo (14/07), assinada pelos repórteres Flavio Ferreira (da Folha) e Amanda Audi e Leandro Demori, de (The Intercept Brasil)
 
O cardápio dos jornais do domingo ofertaram o inusitado nesta domingo 14. A Folha de S. Paulo publicou matéria  demonstrando, por meio das gravações do The Intercept que o procurador Daltan Dalagnol desenvolveu um esquema para faturar alto com uma empresa de eventos e palestras, utilizando como laranja sua mulher e outras mulheres de procuradores federais. O responsável pela farsa que colocou Lula fora da disputa eleitoral de 2018, favorecendo Bolsonaro e tudo o que veio depois, planejava ficar rico com o networking e a popularidade que ganhou, com as acusações e com a criminalização do PT, sem demonstrar nenhuma prova concreta. 
 
Isto só se tornou possível pelo abuso da ignorância da população, que mesmo achando que o governo Lula foi bom (83%) foi induzido pela Imprensa, a partir das falas do procurador a torcer para sua prisão. Para isso contribuíram as noticias fake  (fake News), notícias inverídicas, despejadas diariamente pelos jornais sem questionamento. 
A ignorância popular que levou à votação em Bolsonaro e nos militares (que inclusive ameaçaram  o poder Judiciário para não intervir) trouxe ao Brasil uma perda de dignidade (vide atrelamento de Bolsonaro a Trump) e a venda de ativos do povo brasileiro como parte do pré-sal, refinarias e instituições bancárias. A última está em andamento que é a tal da Reforma da Precvidência que sacrifica o trabalhador mas não altera as posições de juízes, deputrados, militares (altera pouco).
 
A explicação vamos encontrar agora, na farra promovida pela Justiça de Curitiba e pelo TRF 4 (segunda instância). Como a matéria publicada pela Folha de São Paulo na parceria com o Intercept que mostra que o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, montou um plano de negócios baseado em eventos e palestras para lucrar com a fama. “Em uma conversa sobre o tema no fim de 2018, Deltan e um colega discutiram a constituição de uma empresa na qual eles não apareceriam formalmente como sócios, para evitar críticas”.
 
Deltan escreveu para a mulher: “Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade”. Os procuradores cogitaram criar um instituto e obter elevados cachês. “Se fizéssemos algo sem fins lucrativos e pagássemos valores altos de palestras pra nós, escaparíamos das críticas, mas teria que ver o quanto perderíamos em termos monetários”, comentou Deltan no grupo.
O uso das esposas como laranjas no processo é porque a lei proíbe que procuradores gerenciem empresas e permite que essas autoridades apenas sejam sócios ou acionistas de companhias. Os diálogos examinados pela Folha e pelo Intercept indicam que Deltan ocupou os serviços de duas funcionárias da Procuradoria em Curitiba para organizar sua atividade pessoal de palestrante no decorrer da Lava Jato.
 
As mensagens mostram ainda que o procurador incentivava outras autoridades ligadas ao caso a realizar palestras remuneradas, entre eles o ex-juiz Sérgio Moro.
 
Já no início da lava jato, a dedicação de Deltan a cursos e viagens gerava descontentamento entre os colegas. Em uma conversa, o procurador buscou justificar suas atividades, dizendo que ela compensava um prejuízo financeiro decorrente da Lava Jato. “Essas viagens são o que compensa a perda financeira do caso, pq fora eu fazia itinerancias [trabalho extraordinário em que, ao assumir tarefas de outro procurador, é possível engordar o contracheque] e agora faria substituições”, disse o procurador.Deltan e o colega dele na força-tarefa Roberson Pozzobon criaram um grupo de mensagens específico para discutir o tema, com a participação das esposas deles.
Após discussões sobre formatos do negócio, em 14 de fevereiro de 2019 Deltan propôs que a empresa fosse aberta em nome das mulheres deles, e que a organização dos eventos ficasse a cargo de Fernanda Cunha, dona da firma Star Palestras e Eventos.