Fotografo: Sem Dados
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Criador do Novo Jornalismo, era assessor de Imprensa do

Quando Willian Thomas Stead (WT Stead) assumiu o cargo de editor da Gazeta de Pall Mall, em 1883, não teve dúvidas: transformou o jornal à sua imagem e semelhança. Com isso criou o que hoje reconhecemos como o  Novo Jornalismo, batizado por Mattew Arnold, considerado o terceiro maior poeta inglês, educador, palestrante em  Oxford, e seu parceiro das conversas sobre as posturas humanas. Antes disso Stead havia trabalhado no The Northen Ecto desde 1870,  onde aos 22 anos inovou na logística de circulação do jornal, enviando-o para mais de 300 quilômetros aproveitando-se das conexões ferroviárias para distribuir o jornal. Com isto contribuiu para a popularização da leitura, com o aumento das tiragens, agregando ao público leitor os trabalhadores das minas de carvão da região e todos os que passaram a receber o impresso pela via férrea, com a novidade na circulação.
 
 Stead  foi um inconformista  até sua morte no naufrágio do Titanic (1912), navio que o havia contratado para ser o assessor de imprensa da primeira viagem. Inovou no jornalismo desde cedo quando aos 22 anos colocou colocou o jornal no trem  e editava-o fazendo campanhas. Em suas matérias passou a ouvir a população sobre seus pontos de vista e confrontando com isso o ponto de vista de ministros e autoridades, geralmente com uma abordagem otimista dos seus próprios atos. Com isso foi pioneiro também no uso de entrevistas de pessoas do povo para  abordagem de atos governamentais. Até então  o jornalismo ou vinha embutido nos artigos que visavam alterar/reforçar a opinião pública em função da Revolução Industrial  ou, a partir de 1702 questionava isso e pregava como o primeiro diário inglês o Daily Courant, ser recomendado a publicação apenas de (a descrição dos fatos), em comentários.
 
No século 19 os jornais passaram a deliciar seus leitores com a literatura de rodapé, os Folhetins, (escritos ficcionais) publicados em capítulos nos moldes das fotonovelas. O noticiário vinha, com sucesso, emanado dos comentários do jornalista, dando um caráter impressionista ao fato. Daí tiramos a primeira das características da reportagem que se completa com o fato (garantido a objetividade), as precisão  narrativa e a humanização dos relatos.
O modelo iria consolidar-se com o passar dos anos, até os dias de hoje. Eiji Yoshikawa publicou seus quase 200 capítulos de 1935 a 1938, contou a transição do Japão,  do Feudalismo à modernidade numa reportagem documenral, enfocando o perfil de Miyamoto Musashi. Por outro lado Charles Dickens, percorrendo o sentido inverso, saiu da realidade para a ficção e tornou-se um dos maiores romancistas ingleses.
 
 Dickens que ingressou no jornalismo em 1832, viveu a plenitude da revolução industrial. Tinha por hábito usar suas anotações de repórter para escrever crônicas dos casos mais pitorescos que assistia e um ano depois de ingressar no jornalismo como o que seria hoje um repórter políticos enviava suas crônicas para o Monthly Magazine e para o Morning Chronicle. Assinando com o pseudônimo de Boz juntou material para seu primeiro livro “Esboço de Boz”, publicado em 1835 em dois volumes, e que abriu caminho para outras 14 publicações .ao longo de sua vida.
A vida mundana e a infância abandonada foram abordadas por Dickens a partir de suas anotações  como repórter do Parlamento Britânico.
 
O Novo Jornalismo de Stead nos legou trabalhos como Tributo à Moderna Babilônia uma série de reportagem sobre a prostituição infantil provocada pelo êxodo rural na Inglaterra, decorrente da urbanização durante a Revolução Industrial. Relatava o aumento da prostituição infantil quando os pais eram obrigados obrigados a vender suas filhas, ainda crianças para conseguir dinheiro para o sustento da família. As reportagens (publicadas de 6 a 10 de julho de 1885) monstravam como a elite inglesa passou da imoralidade sexual para ações criminosas ao abordar A venda, compra e violação de crianças, A aquisição de virgens, A captura e a ruína das mulheres, O comércio internacional de escravos em meninas e Atrocidades, brutalidades e crimes não naturais. A pressão da opinião pública decorrente da publicação fez o governo editar e publicar uma lei a 1,885 conhecida como Stead`s Acts   alterava a faixa de proteção dos menores de 13 para 16 anos.
 
Cem anos depois o rótulo Novo Jornalismo passou a ser o Xodó de um jornalismo decadente e surge nos Estados Unidos e no Mundo como uma alternativa saneadora de um estilo que inicialmente se adequou ao  Daily Courant (o jornalismo informativo) com todos os seus desvios e se tornou inócuo.
 
As reportagens de Stead, João do Rio, Yoshikawa, John Hersey,  Hunter Thompson e de tantos outros anônimos que assumian a autoralidade dos seus trabalhos receberam novos adjetivos aumentando o caos do jornalismo sem a consolidação da reportagem com características próprias (ênfase na narrativa, caráter impressionista, humanização do relato e objetividade do fato). Num desrespeito a grandes jornalistas que se tornarm grandes escritores de ficção viraram “jornalismo literário”, “gonzo jornalismo”, e realçaram, principalmente nomes como Tom Wolfe, Truman Capote e Gay Talese, dentre outros que conquistaram o direito de criar a partir da observações de detalhes dos seus entrevistados, Por sua vez Machado de Assis, Dickens, Garcia Marques, Ernest Hemingway, passaram a ser reconhecidos como escritores de literatura sem se levar em conta que o que define o jornalismo é o relato objetivo (objetividade do fato), portante o o fato real  e a literatura trabalha com a ficção.