Fotografo: Walter Campanato
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Mourão vai pretende recuperar relações da época dos governos petistas

 
Na época que o fake-news ficava por conta da “rádio Peão” (tática que consiste em espalhar boatos falsos) dizia-se que os comunistas do Brasil eram mantidos com os rublos de Moscou. Era vergonhos e a população acreditava que os russos despejavam dinheiro no país para transformá-lo em comunista e comer nossas criancinhas, desestruturando a família, pregando o ateísmo para saudar Marx (como fizeram recentemente com o mais médico que seriam agentes disfarçados para transformar o país em uma Cuba).
 
Baseado em coisas como esta o governo federal, tratou logo de ofender chineses , de cara, para não esquerdizar o país, preferindo (se fosse o caso) a servilidade de entregar tudo aos EUA. Ignora que o mundo é outro e que o país é outro. A direita, se quisermos colocar assim, maniqueísticamente, acaba sendo sustentada, justamente por países como este, responsável por cerca de 40% da exportações de grãos, reduzida imediatamente após o repudio da Embaixada Chinesa no Brasil, após Bolsonaro ter tuitado  que "o norte que queremos para o nosso Brasil, algo bem diferente do que foram os Governos anteriores, simpáticos a regimes comunistas (...).". O resultrado foi uma queda de investimentos de 11 bilhões para 2 bilhões. 
 
É com a missão de resgatar a simpatia chinesa para com o Brasil que Mourão aterrissa em Pequim. O general vai consertar o estrago feito pelo capitão ignorando da conjuntura mundial e lembrar que outro general, Geisel foi um dos primeiros a reconhecer a República Popular da China, em 1974. 
Mourão vai para realivar a Comissão Sino-brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), tradicionalmente chefiada pelos vice-presidentes dos dois países, suspensa desde o impeachment de Dilma Rousseff. Isto irá promover a ampliação do diálogo entre as duas nações.
Mourão irá destravar uma lista de desafios no âmbito econômico, incluindo a atração de investimentos chineses no Brasil. E irá colocar o país no contexto da 'Nova Rota da Seda', projeto global de investimentos bilionários chineses. O apoio brasileiro à Nova Rota da Seda anularia as tentativas do Governo Trump de descrever a iniciativa como uma ameaça à América Latina. Ao mesmo tempo, auxiliaria na negociação de concessões em projetos de infraestrutura, como portos, estradas e ferrovias, crucial para iniciar o processo de recuperação da economia brasileira.
 
A visita de Mourão, coloca o Brasil numa posição privilegiada nas disputas entre Washington e Pequim, O Brasil pode ser visto como principal interlocutor na região tanto pelos Estados Unidos quanto pela China, resgatando a dignidade perdida com a servilidade de Bolsonaro frente Trump. Além do mais, impõe uma fragorosa derrota ao astrólogo Olavo de Carvalho, os filhos do presidente e o  ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que excluem a China, alinhando-se incondicionalmento aos interessos dos Estados Unidos.