Fotografo: Ronaldo Oliveira
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A mesa foi composta pelos professores e jornalistas Enoque Cavalcante, Gibran Luis Lachowski e Vinicius Souza.

 
 
 
Durante a II edição da Jornada Universitária em defesa da Reforma Agrária, a JURA, realizada pela Universidade Federal do Estado de Mato Grosso (UFMT) estudantes, professores, movimentos sociais e comunidade em geral reuniram-se para discutir de forma livre, democrática e harmoniosa o tema Reforma Agrária.  
 
O tablado do evento reuniu agricultores, lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), quilombolas, feira de livros e artesanatos, mulheres em defesa da igualdade de gênero, segurança alimentar, impactos ambientais e sociais das hidrelétricas, agroecologia, racismo e saúde, direitos dos povos indígenas e a função social do jornalismo mato-grossense diante a expansão exponencial do agronegócio. Serão três dias de atividades. O início do evento foi no dia 27 e será finalizado no dia 29 de maio. Acesse aqui a programação completa. 
 
A mesa composta pelos professores e jornalistas Enoque Cavalcante, Gibran Luis Lachowski e Vinicius Souza abordou o tema "O Jornalismo de Mato Grosso e a expansão do agronegócio no estado".  
 
O Mato Grosso firmou-se como potência econômica nacional de importação e exportação através do agronegócio, contudo, irregularidades foram cometidas e os trabalhadores lesionados. Um caso não muito distante envolvendo a extinta Cooperativa Agrícola do Rio Verde (Cooperlucas) foi recordado pelo professor Enoque.  
 
Durante o ano de 1999 parlamentares e funcionários do Banco do Brasil envolveram-se num esquema de estelionato qualificado, falsidade ideológica, direção fraudulenta de instituição financeira, gestão temerária e obtenção enganosa de financiamento. "O agronegócio é uma estrutura de poder que se montou em Mato Grosso a custo de muita corrupção. Os primeiros espertos horticultores que apareceram aqui se aproveitavam da estrutura política para transformar o Banco do Brasil numa extensão dos seus negócios", comentou o professor Enoque Cavalcante. 
 
Inserindo a comunicação, sobretudo o jornalismo enquanto função social e de comprometimento coletivo, o professor questiona: "Como é que a nossa imprensa tradicional se relaciona com esse poder? São todos eles [veículos tradicionais de comunicação e o agronegócio] estruturas que visam enriquecer”, afirma.  
Como alternativa de comunicação anti-hegemônica que visa construir espaços de interação mutua entre comunicadores e movimentos sociais, o professor Gibran Lachowski acredita que não dá pra contar com a mídia comercial. “Nós precisamos unir esses vários movimentos e valorizar a diversidade, mas compreender que nós precisamos também construir esse campo da comunicação popular", declara. Para Gribran, a JURA entra nesse contexto de disputa de hegemonia. “Nós estamos num espaço que é a universidade pública. Precisamos ocupar esses espaços e dar um sentido pra essa pauta da comunicação. Precisamos conversar e constituir esse polo de comunicação alternativa em Mato Grosso", concluiu o professor. 
 
Um modelo de comunicação implantado pelo MST e que propõe discussões através da arte é o teatro popular, que dialoga com as periferias das grandes cidades. O membro da coordenação nacional do MST e integrante do movimento desde 1985, Gilmar Mauro, comentou: "A comunicação popular não convencional pode auxiliar no fortalecimento dos movimentos sociais. Por exemplo, em São Paulo nós temos mais de 300 grupos de teatro popular. Acredito que essas novas formas de linguagens tendem a ser muito mais eficientes do que só as convencionais. Tem que criar redes para furar essas bolhas através de novas formas de comunicação direta".