Fotografo: Reprodução
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Tudo em famíia, ele pensam que o Brasil virou deles.

 
 
Os acontecimentos se sucedem na velocidade do Twitter e a sensação é de que sempre estamos perdendo alguma coisa. Da disputa da força-tarefa da Lava Jato com o STF – e com a própria PGR - à prisão de Temer; do bate-boca entre Maia e Moro ao encarceramento do sogro do presidente da Câmara; do papel servil de Bolsonaro no encontro com Trump (em que o presidente brasileiro deixou em aberto até uma possível intervenção militar na Venezuela) às regalias oferecidas aosmilitares na reforma da previdência, fica difícil entender a relação de fato entre um episódio e outro. Isso, em um momento em que a popularidade do “mito” despenca a cada pesquisa, atingindo o nível mais baixo de um presidente estreante em 24 anos.
 
Marina Amaral, codiretora da Agência Pública
 
Entre teorias da conspiração e análises consistentes, vale destacar o que interessa ao conjunto dos cidadãos brasileiros. Nos Estados Unidos, Bolsonaro entregou o certo em troca do duvidoso, especialmente ao abrir mão do tratamento especial na OMC confiando em uma promessa de inclusão na OCDE; o mesmo raciocínio pode ser aplicado em relação ao fim da exigência de vistos (sem contrapartida) e à concessão da base de Alcântara – nesse caso com uma ameaça óbvia, a começar pelo destino das comunidades quilombolas que ali vivem. Para além da condição constrangedora em que deixou o país, em especial na referência aos imigrantes brasileiros, a atitude subserviente não nos deixa em boa posição para negociar seja o que for.
No Brasil, a prisão de Temer, que poderia até ser comemorada pelos que acompanharam as muitas denúncias que o envolvem, traz a suspeição do timing e do modus operandi da força-tarefa da Lava Jato, pronta a retaliar a cada questionamento de seu poder. Além de colocar em xeque mais uma vez a isenção da força-tarefa no combate à corrupção, a operação põe em risco a votação da reforma da previdência no Congresso. O que pode até ser um alento diante da desigualdade de condições que propõe, mas enevoa o debate, principalmente depois do presente oferecido aos militares.
Enquanto isso, como mostrou o especial que finalizamos nessa semana, o país encara a volta da fome, os ecos do massacre de adolescentes em Suzano, e as escolas depauperadas sem material escolar e merenda decente. E olha, desamparado, para um governo que parece repousar exclusivamente no poder de uma família – aquela em que o 01 - e a primeira-dama - recebem dinheiro de milicianos; em que o 02 vai a Brasília deixando as obrigações de vereador porobscuras missões a mando do pai, e o 03 se reúne na Casa Branca, enquanto o ministro das Relações Exteriores esperneia. Também articula uma inédita visita àmonstruosa CIA e um tragicômico jantar entre Bolsonaro e a alt-right americana, em que o fantasma do comunismo paira no ar.
 
Fica a pergunta: a quem nos dirigir para tratar dos problemas reais?