Fotografo: Luiz Alves
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As missas são realizadas no alvorecer lembrando o santo que acordava de madrugada

 
 
 
 
Cuiabá vive neste final de semana sua mais importante festa de Santo a de São Benedito, que além de mudar a rotina do tráfego no centro da cidade reúne personalidades e devotos em geral em um evento que vai do gastronômico ao cultural, passando pela religiosidade. A festa que termina neste domingo começou com a tradicional missa no alvorecer do dia 28 e terminará com a procissão de domingo pelas avenidas próximas ao santuário.
Um mês antes da festa, os festeiros e devotos de São Benedito iniciam as atividades que homenageiam o padroeiro com uma caminhada e visitas levando a bandeira e a imagem do Santo. Saem em peregrinação pelos bairros, comércios e repartições públicas de Cuiabá, bem como as 20 comunidades que compõem a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.
 “É um orgulho muito grande representar duplamente o cidadão cuiabano, numa festa tradicional como esta, onde tantas pessoas ilustres passaram pelo reinado, unidas pela fé. É uma emoção muito grande, personificar toda essa religiosidade representando o povo cuiabano”, disse o vice-prefeito Niuan Ribeiro, o Rei da festa. “ Eu me sinto muito honrado por estar aos 33 anos como vice-prefeito da cidade que amo, e agora, como rei desta festa e, sei que isso só aumenta a minha responsabilidade com a comunidade cuiabana e com todas as pessoas que moram aqui. Tenho certeza que tudo isso são bênçãos de Deus, através do nosso São Benedito”, ressalta Niuan.
 “A festa de São Benedito é uma das festas católicas mais bonitas da nossa cidade e já está no calendário oficial do município. Por isso a Prefeitura de Cuiabá não poderia estar ausente deste evento, que representa muito em termos de expressão cultural e religiosidade”, relatou o secretário de Cultura, Esporte e Turismo Francisco Vuolo. “Estamos dando o suporte em infraestrutura, para que o evento ocorra e beneficie toda sociedade. O povo cuiabano é um povo pautado na fé. E a gestão Emanuel Pinheiro é uma gestão humanizada. Dentro do princípio da humanização e do princípio da fé, os caminhos da Cuiabá dos 300 anos vão seguir juntos beneficiando toda a sociedade”, concluiu.
 
 “A nossa missa acontece sempre ao alvorecer porque nosso padroeiro era cozinheiro e sempre se levantou muito cedo para realizar suas tarefas. E nesse amor que São Benedito viveu, que a gente vê estampado nos olhos de todos, numa madrugada, o primeiro dia do tríduo, o carinho e o amor que as pessoas vêm testemunhar o carinho e o amor a Deus, seguindo as pegadas de São Benedito”, destacou o Arcebispo.D.Milton, que fez a primeira celebração.
 
O santo sempre foi conhecido pela sua humildade e simplicidade tem em seus fiéis uma profunda devoção. “Eu fui criada sob a devoção do santo negro. Me lembro, desde muito pequena, vir aqui com minha mãe e meu pai participar da missa aqui nesta igreja centenária. Nós já tivemos muitas provas do poder do São Benedito, inclusive de cura. Nasci e vou morrer rezando pra ele”, disse Dona Hermínia Rodrigues da Silva, de 69 anos.
 
 
Conheça melhor o santo
 
Certo dia Benedito, “o Mouro” como era conhecido o cozinheiro do Convento dos Capuchinhos, saía para a rua com um pacote entre as roupas. Levava como sempre sobras de comida para distribuir aos famintos de Palermo, na Itália. Apesar de sua precedência e dedicação de mais de 20 anos à ordem, foi interpelado pelo diretor do convento a quem devia obediência hierárquica, que sabedor das generosidades do religioso não concordava com elas. 
“Levo rosas”, mentiu. O superior, apesar de ser uma pessoa que devia dedicar-se aos pobres sabia e não concordava que Benedito alimentasse os famintos com a comida dos “padres”, principalmente naquele momento em que havia recém assumido o cargo de diretor em lugar de Benedito. Num gesto rápido puxou suas roupas e em vez de salames e queijos o que apareceram foram rosas, de fato.  Este é apenas um aspecto da mitologia de São Benedito, que rompeu todas as barreiras de sua época inclusive a de ser o responsável pelo convento, mesmo sendo um cozinheiro analfabeto e religiosamente um leigo como são chamados os que não concluem estudos e por isso não podem ser ordenados.