Fotografo: Taian Franco
...
Deutada Joenia Wapichana fez lei rara que c rime ambiengtal seja hediondo

 
 
 
 
A segunda edição da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA), que acontece na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), reuniu, ontem à tarde, assentados, indígenas e militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), para debater sobre as condições vividas por algumas comunidades em Mato Grosso, após a construção de barragens e hidroelétricas próximo a suas residências.
 
Entre os presentes, estava a deputada federal Joenia Wapichana (Rede–RR) que participou da mesa e falou sobre os indígenas que são prejudicados com a construção de barragens. Ela falou sobre seu primeiro Projeto de Lei que torna hediondo todos os crimes ambientais que afetam gravemente o ecossistema e põem em risco a vida e a saúde humana. “Foi justamente pensando nos indígenas que eu fiz essa PL. Temos o exemplo da remoção das terras dos Pataxós em Brumadinho e, possivelmente, outros povos que possam ser afetados no futuro. Isso é uma medida de prevenção”, declarou a deputada.
 
A mesa também teve a presença da indígena Rikbaktsa, Domingas Apatuo, da aldeia Vale do Sol, em MT, que reforçou a resistência dos povos indígenas sobre suas terras. "Temos que lutar por terras, pois é de lá que tiramos nosso sustento, nossa sobrevivência", afirmou. 
 
Durante a mesa, o assentado, militante do MST e atingido pelos impactos da barragem, Marciano Manoel da Silva, teve a oportunidade de dar o seu relato do que vivenciou com a construção da usina no Rio Teles Pires, há dois quilômetros de seu assentamento. "De início, as usinas usaram as contradições internas do assentamento para conseguir fragmentar o grupo”, conta. Depois de instalada, conforme Marciano, começaram a ter invasões de pessoas de fora, como Sinop, por causa do lago formado pela usina e pela grande expectativa de interesse econômico. “A comunidade do assentamento foi roubada, porque isso era nosso”, relatou. Ele contou ainda que as construções também levaram ao esvaziamento do assentamento. “Como essa questão gerou muito interesse, muitas vendas de lotes por grandes empresários, muitos foram embora”, disse.