Fotografo: The Wall - Pink Floyd
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Apologia ao Golpe Fere a Nação Brasileira

 
 
No mínimo é um crime e uma afronta ao Estado de Direito a determinação ao Ministério da Defesa que faça as "comemorações devidas" do aniversário do 31 de março de 1964”, conforme ordenou a Presidência da República aos quartéis pelo país. "Nosso presidente já determinou ao Ministério da Defesa que faça as comemorações devidas com relação ao 31 de março de 1964 incluindo a ordem do dia”, revelou o general porta-voz do capitão.
A notícia explodiu como uma bomba e se na homenagem que fez o mais famoso torturador do período, o General Ulstra, o então deputado levou uma cusparada na cara de Jean Willis (hoje fora do país após ameaças de assassinato), agora Bolsonaro terá que se ver com a Justiça, acionada pelo Ministério Público Federal que em nota lembrou que a recomendação governamental para que se comemore o golpe de 1964 é "revestida de enorme gravidade constitucional" e desrespeita o estado democrático de direito.
Por este motivo os procuradores do Ministério Público  entrou com ações para que as Forças Armadas sejam impedidas de comemorar a ditadura. Além deles uma ação popular também pede a mesma coisa "Seja a ordem democrática, sejam os direitos humanos, ambos são valores incondicionalmente assegurados pela vigente ordem constitucional, de tal modo que não se afigura cabível qualquer evento público que vise festejar atos que contrariaram, no passado, àqueles dois vetores republicanos", diz a petição, assinada pelos advogados Ricardo Nacle, Cláudio Castello de Campos Pereira e Gisele Agnelli
 
A determinação de Bolsonaro foi confirmada pelo porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros. Segundo ele, o presidente determinou ao Ministério da Defesa que faça as "comemorações devidas" pelos 55 anos do início do regime militar.
Na ação, Ricardo Nacle lembra que a ditadura, que durou 21 anos, resultou na morte e tortura de milhares de pessoas. "Diante de tal cenário, fomentar qualquer festividade a respeito do golpe e da subsequente ditadura militar que se instalou no país por anos é atentar contra os valores constitucionais. É, em outras palavras, fazer apologia a um regime em cujo âmbito houve a disrupção democrática, com o prevalecimento do desrespeito das garantias fundamentais", diz. Esta ação tramita na 22ª Vara Federal de São Paulo. 
Moralidade administrativa
A outra ação, assinada pelo advogado Carlos Alexandre Klomfahs, considera que há reiterado problema quanto à violação à moralidade administrativa, porque "o grau de desenvolvimento de um país se mede pela expansão e efetividade dos direitos fundamentais".
De acordo com Klomfahs, as Forças Armadas exercem relevante papel, porém "vislumbra-se os abusos que foram praticados, se não foi pela totalidade de militares, pelo menos um grande número de abusos e crimes por eles foram cometidos, de praças até generais, houve quem se aproveitasse da delicada situação de ‘comoção intestina’". A petição foi encaminhada à Vara Federal do Distrito Federal
 

Presidente enfiou os pés pelas mão e mandou exército comemorar