Fotografo: Lorraine Francisca Costa
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A segunda edição da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA) iniciou suas atividades,  na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) com representantes de movimentos sociais, alunos e professores e comunidade. A primeira mesa de debate levantou discussões sobre a luta pela terra das comunidades quilombolas e a reafirmação da identidade desses grupos nos dias atuais. 
 
O debate e a apresentação sobre a luta, reconhecimento dos próprios direitos e a ressignificação do povo quilombola foi guiado pela coordenadora Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), Laura Ferreira Silva. Também estavam presentes na mesa a mestranda no Programa de Pós-graduação em História, Jackeline Silva e as professoras da escola quilombola Tereza Conceição Arruda, do município de Nossa Senhora do Livramento e Gonçalina Eva Almeida de Santana.
 
Gonçalina falou da importância das atividades que desenvolve na escola onde atua. “Quando a gente começou a fazer trabalhos de ressignificação da nossa identidade os nossos alunos começaram a sentir orgulho de se identificar quilombola, do cabelo e da dança. Começamos a ter outro clima, a aprender juntos, que a nossa história era muito bonita”, conta.
 
Além das dificuldades enfrentadas como perdas de terra, ela entende que a comunidade precisa de unir e ser resistência na busca por direitos. “Cada um de nós sabe o que sofreu para estudar e sabe a importância que a educação tem como ferramenta de libertação e luta”, afirma.
 
A JURA teve início em 2014 com a participação de 40 Universidades e Institutos Federais. Atualmente, é realizada por mais de 60 Instituições de Ensino Superior do Brasil. Durante todo o evento na UFMT serão abordados temas como agronegócio, agroecologia, direitos dos povos indígenas e quilombolas, trabalho educação, saúde, respeito a terra e reforma agrária. 
 
Além de contribuir para o conhecimento dos participantes, o evento também tem como objetivo conscientizar de novas formas de utilização da terra, como conta o estudante Izaak Samir Silva. “Mesas como essa são muito importantes para que as pessoas tenham consciência de que não existe só uma lógica de extração e exploração da terra, existem comunidades como quilombolas e indígenas que usam a terra de uma forma diferente e comunitária”, conta Izaak.
 
Ele conta que os participantes têm o dever de levar esse conhecimento para fora e fazer com que a justiça social seja feita, mesmo compreendendo as dificuldades enfrentadas pelo negro no Brasil. “Eu saio daqui com energia renovada, porque daqui alguns anos eu vou estar falando para os meus alunos como que é a nossa história, a história do povo negro, contada por pessoas negras que vivem essa realidade na pele, então para mim esse foi o mais importante”, explica o estudante.
Turismo - Uma das ações para melhorar a interação entre a sociedade e as comunidades quilombolas seria o turismo, para que as pessoas tenham a oportunidade de conhecer esta cultura de forma mais profunda, como sugere a doutora em Turismo, Luciana Pinheiro Viegas.